A notável civilização maia anteviu o apocalipse para 2012, assim como os Guns and Roses previram o Chinese Democracy para 1994. Não, para 1997. Opa, 2001. Quer dizer...
A verdade é que a música, a exemplo das demais manifestações artísticas, demonstra claros sinais de declínio e da necessidade urgente de um apocalipse para nos redimir da gama de porcarias que vem por aí.
E quem dera todo engano fosse tão bom quanto Guns and Roses...
Afinal, quem, em plena posse de suas faculdades mentais, não sente alívio profundo ao saber que seremos poupados de bizarrices do tipo “The Best of Fresno” ou “NXZero, Greatest Hits”?
Tivemos basicamente dois grandes momentos musicais em alguns mil anos de história recente: a lucidez insana dos geniais compositores clássicos e a insanidade lúcida do rock’n roll, prova cabal de que nosso problema não está na tecnologia.
O cerne da desgraça toda é justamente uma globalização para a qual nunca estivemos preparados: conhecemos todos os costumes do outro lado do mundo em milésimos de segundo. E daí?
Como o ser humano é um bicho inteligente pra cacete, resolveu compilar numa única sub-raça todos os defeitos localizáveis em cada tribo mapeada pelo GoogleEarth, isto é, por ele conhecida: surgiram então os (argh!) emos.
E, claro, eles fizeram questão de estender seu vasto conhecimento ao ramo da música. Deu na merda que deu. Por sorte coletiva essas bestas-feras não perpetuarão seu domínio por dois motivos simples: a assumida incapacidade de reprodução e uma intervenção apocalíptica mais que bem vinda.
9/10 de nossa última sociedade global ainda crê que um mar inteiro foi aberto à custa de um cajado de cedro e muita gritaria ou que um lanterninha simpático com cabeça de elefante nos vigia cada passo... mas, pensando bem, as ensurdecedoras trombetas do apocalipse nos pouparão de uma belíssima cota de zombaria na história galáctica.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
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